QUE NOME IREMOS DAR A ELE ???

LIONS

 

            Depois de muita discussão, ficou resolvido : ARMSTRONG.

            Um nome que sugeria, segundo concluíram, intrepidez, arrojo, valentia ... Além de tudo, era chique para um cachorro que iria morar numa mansão !

            Pobre Armstrong!

            Uma cama? Não tinha. Para dormir encolhia-se sobre um trapo qualquer, um trapo pequeno sobre o ladrilho gelado. E ficava esse tal trapo qual uma ilha, só que cercado de cachorro por todos os lados.

            Um teto? Bem..., esse funcionava assim: se a chuva fosse fina, um alto beiral de um cômodo o protegia mais ou menos, mas com chuva grossa e ventania, dizer que ele ficava úmido era brincadeira.

            Pobre Armstrong!

            Quando chegava o inverno, “pros cachorro”!!! Como sofria Armstrong! Não via a hora do Sol acordar para que pudesse se aquecer um pouquinho, mas, que acontece na Estação Fria? Até mesmo o Astro- Rei (e para isso ele é Majestade!) dormia até mais tarde e, às vezes nem se levantava da cama. Abandonar seu lindo e aconchegante lençol de mornos raios solares? Nunquinha!! Resultado: dia triste e gelado. Apesar de que, mesmo com o sol presente, o quintal da mansão era tão sombrio quanto as almas dos donos ‘nouveau riche’.

            Pobre Armstrong! Pobre cachorro rico!

            A alimentação, ah, a alimentação. Por vezes (muito freqüentes para seu estômago) ele era esquecido e somente lá pelas tantas, quando descia um anjo do céu, um dos donos batia a mão na testa: “o cachorro”. Aí então lhe levava a ração e colocava-a à frente do animal sem mesmo olhar-lhe na cara ou fazer-lhe um pequeno afago que fosse!

            Pobre Armstrong! Pobre cão-de-guarda a zelar pelo quintal da casa ou a sofrer nas garras da crianças-donas.

            Podia ser um Totó, um Rex, um Bilú ou até mesmo um Au-Au! Mas não! Era um coitado dum imponente Armstrong! Um infeliz com nome empolado!

            Além de tudo, mas o seguinte : - a dona da casa não sabia que o pobre Armstrong, além de estômago e sentimentos, tinha também intestino e rins. Igualzinhos à ela. Contudo, ela não admitia a mínima sujeira no quintal, ignorando totalmente que ninguém o ensinara (com paciência) onde fazer suas necessidades. Não se entende porque gente desse tipo arruma animais. Se necessitam de uma proteção, em troca poderiam ser mais magnânimos com o amigo que, embora tão desprezado está sempre a lhes dar provas de afeto e dedicação. Mas esperar o quê, se nem uma casinha lhe davam para que se abrigasse. Jamais o levavam para sair, nem sequer pronunciavam o seu nome, chamavam-no simplesmente de ‘cachorro’. Como descobrir quando ele estava doente se simplesmente o ignoravam?

            Pobre Armstrong!

            Se não querem que suje o quintal, que lata ou chore, se não o alimentam na hora certa, se batem nele, se o largam numa solidão tremenda, se o deixam sempre preso, jamais o levando para uma voltinha na rua onde adoram cheirar cheiros mil, então, caros donos de Armstrong das mais diversas raças, o mais certo para vocês é um bicho de pelúcia que não irá lhes dar trabalho algum. Podem até comprar dois enormes elefantes ou um dinossauro ou, ainda, um grande urso. E, naturalmente lhes darão nomes como Nabucodonosor, Tutankâmom, Godzilla, Kong... entre tantos outros.

            Será ‘très chic’ não é mesmo? E o melhor: já vêm sem estômago, sem rins e intestinos!!!

Não é ótimo? Experimentem!

 

Mas, por favor:- deixem de judiar dos ‘Armstrongs’ da vida! Que eles tenham a chance de encontrar donos que os amem de verdade!!

 

Domadora Eulália Spinelli

Lions Clube de Amparo

AMPARO – SP (Distrito LC-3)

(publicado no boletim LEÃO DO CAMANDOCAIA

Editor : CL Edmur Jorge – nº 336- Janeiro/2005